Risco de demência vascular é alto em pacientes com diabetes tipo 2

Pessoas com diabetes tipo 2 podem ter mais risco de demência vascular do que de outros tipos de demência, descobriu uma equipe de pesquisadores internacionais.

Em comparação com uma população controle sem diabetes, aqueles com diabetes tipo 2 tiveram um aumento estatisticamente significativo de 35% nas chances de apresentar demência vascular em um grande estudo observacional.

Comparativamente, o risco de demência não vascular aumentou em “modestos” 8%, afirmaram os pesquisadores da University of Glasgow, na Escócia (Reino Unido), e da University of Gothenburg, na Suécia, enquanto o risco de demência por Alzheimer aparentemente foi reduzido em 8%.

A associação entre diabetes tipo 2 e demência não é novidade, observou o Dr. Carlos Celis-Morales, Ph.D., que apresentou os achados do estudo no encontro anual virtual da European Association for the Study of Diabetes (EASD). Com as pessoas vivendo mais, graças às melhores estratégias de prevenção e tratamento, existe um risco de desenvolver outras doenças crônicas, como a demência.

“Um terço de todos os casos de demência pode ser atribuído a fatores de risco modificáveis, entre eles, o diabetes tipo 2, que responde por 3,2% de todos os casos de demência”, disse o Dr. Carlos, pesquisador do Instituto de Ciências Médicas e Cardiovascular da University of Glasgow.

“Embora a gente saiba que o diabetes está associado à demência, não temos muita certeza de o quanto essa associação entre diabetes e desfechos na demência podem ser explicados por fatores de risco modificáveis e não modificáveis”, acrescentou o Dr. Carlos.

“Diabetes e demência compartilham certos fatores de risco”, comentou outro pesquisador do estudo, Dr. Naveed Sattar, em um comunicado de imprensa realizado pela EASD. Entre eles, obesidade, tabagismo e sedentarismo, e pode explicar parte da associação entre as duas doenças.

O Dr. Naveed afirmou que o aumento do risco de demência vascular observado no estudo foi “em si um argumento em prol de medidas preventivas, como estilo de vida mais saudável”, acrescentando que “a importância da prevenção é reforçada pelo fato de que, para a maioria das doenças que causam demência, não existe um bom tratamento”.

Usando dados do Registro Nacional Sueco de Diabetes, a equipe de pesquisa procurou determinar até que ponto o diabetes tipo 2 estava associado à demência e à incidência de diferentes subtipos de demência. Eles também avaliaram se havia alguma associação com o controle da glicemia e quais fatores de risco podem estar envolvidos.

No total, os dados de 378.299 indivíduos com diabetes tipo 2 foram comparados com dados de 1.886.022 pessoas com idades semelhantes (média de 64 anos) e controles pareados por gênero na população geral.

Após uma média de sete anos de acompanhamento, 10.143 pessoas com e 46.479 pessoas sem diabetes tipo 2 desenvolveram demência. A demência não vascular foi o tipo mais registrado, seguida por doença de Alzheimer e depois por demência vascular.

“Em indivíduos com diabetes tipo 2, o controle glicêmico ruim aumentou o risco de demência, especialmente de demência vascular e não vascular. No entanto, essas associações não foram tão evidentes para a doença de Alzheimer”, relatou o Dr. Carlos.

Ao comparar indivíduos com hemoglobina glicada (HbA1c) < 52 mmol/mol (7,0%) com aqueles com HbA1c > 87 mmol/mol (10,1%), foi observado aumento de 93% no risco de demência vascular, de 67% no risco de demência não vascular e de 34% no risco de demência associada à doença de Alzheimer.

“Nós focamos em níveis altos de HbA1c, mas o que acontece em limiares realmente baixos? É algo em que estamos trabalhando no momento”, disse o Dr. Carlos.

É importante ressaltar que os fatores de risco cardiovascular – alguns dos quais, como pressão arterial sistólica e peso corporal, eram potencialmente modificáveis – foram responsáveis por mais de 40% do risco de demência no diabetes tipo 2. Isso sugere que uma grande porcentagem do risco de demência talvez pudesse ser abordada identificando pessoas de alto risco e individualizando as intervenções apropriadas.

“Esses são resultados observacionais, então precisamos ter cuidado antes de usá-los para qualquer tipo de recomendação”, disse o Dr. Carlos.

O estudo foi financiado pelo governo sueco sob o acordo ALF (entre o governo e os conselhos municipais) e por recursos da Novo Nordisk Foundation e da Associação Sueca de Autoridades Locais e Regionais. Os Drs. Carlos e Naveed informaram não ter conflitos de interesses.

FONTE: Celis-Morales C et al. EASD 2020, Apresentação oral 06.

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