Beber até ‘apagar’ é associado ao dobro do risco de demência

Pessoas que bebem até perder a consciência podem ter de enfrentar bem mais do que uma ressaca.

Em um estudo com mais de 130.000 pessoas, a perda de consciência induzida pelo consumo de bebidas alcoólicas foi associada ao dobro do risco subsequente de demência, independentemente do consumo geral de álcool.

“Os documentos de políticas e diretrizes de prevenção da demência destacam a importância de manter o consumo geral de bebidas alcoólicas em níveis moderados”, disse ao Medscape oprimeiro autor do estudo, Dr. Mika Kivimaki, Ph.D., do Departamento de Epidemiologia no University College London, no Reino Unido.

“Nosso estudo sugere que também é importante considerar os padrões de consumo das bebidas alcoólicas, porque descobrimos que o consumo excessivo de álcool pode ser um fator de risco de demência tardia, mesmo que a pessoa em geral beba moderadamente”, disse Dr. Mika.

O estudo foi publicado on-line em 09 de setembro no periódico JAMA Network Open.

Associação robusta

Os pesquisadores examinaram dados de sete estudos de coorte que avaliaram o consumo de bebidas alcoólicas por 131.415 adultos (61% mulheres) do Reino Unido, da França, da Suécia e da Finlândia.

A maioria (79%) referia beber moderadamente (1 a 14 unidades por semana); menos de 1% bebia muito (> 14 unidades por semana). Beber muito foi mais comum entre os homens e os fumantes.

No início do estudo, os participantes tinham em média 43 anos e não apresentavam demência. Durante um período médio de acompanhamento de mais de 14 anos, 1.081 (0,8%) receberam diagnóstico de demência (média de idade de 70,7 anos).

Depois de controlar pela ingestão geral de bebidas alcoólicas, os pesquisadores descobriram que a incidência de demência aumentou entre os participantes que perderam a consciência no ano anterior uma ou mais vezes após beber (razão de risco ou hazard ratio, HR = 2,10; intervalo de confiança, IC, de 95% de 1,42 a 3,11; HR = 2,19; IC 95%, de 1,40 a 3,42), em comparação com os que não perderam a consciência após beber.

Da mesma forma, em comparação com os que não informaram perda da consciência e que bebiam moderadamente, os que referiram perda da consciência apresentaram o dobro do risco de demência, independentemente de seu consumo médio ser moderado (HR = 2,19; IC 95%, de 1,42 a 3,37) ou pesado (HR = 2,36; IC 95%, de 1,57 a 3,54).

“Bem como a demência por todas as causas, esta associação foi observada na demência de início precoce e tardio, na doença de Alzheimer e na demência com características de doença cardiovascular aterosclerótica“, disseram os autores.

“A associação foi robusta após o ajuste por outros fatores de estilo de vida, hipertensão arterial sistêmica e diabetes, evidente entre homens e mulheres, observada nos participantes mais velhos e nos mais jovens, bem como nas pessoas com estilo de vida saudável ou não”, informaram os pesquisadores.

De modo geral, esses resultados implicam neurotoxicidade ao perder a consciência como explicação para sua associação com a demência, acrescentaram os autores.

“Precisamos considerar tanto o consumo geral de bebidas alcoólicas durante um tempo prolongado, como o padrão de consumo pessoal. O alto consumo geral certamente aumenta o risco de demência, contudo, as pessoas que bebem a ponto de perder a consciência também apresentam maior risco de demência, mesmo se seu consumo médio for moderado”, disse Dr. Mika ao Medscape.

O estudo não teve financiamento comercial. O Dr. Mika Kivimaki informou não ter conflitos de interesses relevantes.

 

FONTE: MEDSCAPE

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