Privação de sono exacerba raiva

Uma boa noite de sono pode ser importante para o controle da raiva, de acordo com novos achados sugerindo que a privação de sono aumenta a frustração.

Em uma série de estudos, pesquisadores descobriram que a privação de sono consistentemente desencadeia raiva em resposta a frustrações do ambiente, interações competitivas e situações cotidianas.

“A interrupção do sono pode contribuir para o sentimento de raiva e minar a capacidade de adaptação a situações frustrantes”, disse ao Medscape o pesquisador do estudo, Dr. Zlatan Krizan, professor de psicologia e diretor do Sleep, Self, and Personality Laboratory da Iowa State University,nos Estados Unidos.

“Para indivíduos com problemas de controle da raiva, a privação de sono pode ser um importante gatilho ou um alvo para intervenção”, acrescentou o Dr. Zlatan.

Os achados foram apresentados no Virtual SLEEP 2020, o 34º encontro anual das Associated Professional Sleep Societies.

“Forte evidência causal”

“A associação entre a raiva e o sono é bem documentada, mas os motivos para esta associação ainda são incertos. Nessa pesquisa, nós avaliamos evidências de que a privação de sono aumenta a raiva, visto que a ausência de sono geralmente aumenta a fadiga, irritabilidade e cria problemas de autocontrole”, disse o Dr. Zlatan.

Em um estudo, os pesquisadores solicitaram que 202 estudantes universitários mantivessem um diário por 30 dias, no qual registraram por quanto tempo dormiram em cada noite; o número de estressores diários sociais, de trabalho e acadêmicos; e o “estado de raiva”. Uma modelagem em múltiplos níveis foi usada para estimar os efeitos do sono na noite anterior na raiva no dia seguinte em cada pessoa.

Os resultados mostraram que os estudantes sentiram mais raiva nos dias seguintes às noites mal dormidas (P < 0,001). Em um estudo em separado, 142 residentes da comunidade mantiveram sua rotina noturna normalmente (grupo de controle) ou, em duas noites por semana, dormiram por apenas cerca de quatro horas em suas casas.

A duração do sono foi confirmada por meio de um Actiwatch e um diário do sono. Após essa intervenção, a raiva foi avaliada por meio da exposição a um barulho irritante.

Em contraste com o grupo de controle, aqueles que reduziram o tempo de sono manifestaram uma resposta mais raivosa ao ruído, sugerindo que a privação de sono minou a capacidade de adaptação emocional à situações frustrantes. A sonolência subjetiva foi responsável pela maior parte do efeito da privação de sono na raiva.

Um estudo relacionado, feito com 124 indivíduos que jogaram um jogo on-line contra um adversário após restrição de sono, mostrou resultados semelhantes, com maior raiva associada à competição depois da privação do sono.

“Antes desse estudo havia apenas evidências indiretas de que a privação de sono pode aumentar a raiva, e os estudos experimentais não criavam contextos que poderiam realmente causar raiva”, disse o Dr. Zlatan.

Esses resultados fornecem “fortes evidências causais” de que a privação de sono aumenta a raiva e a frustração ao longo do tempo, ele disse.

O bem maior

Comentando os achados para o Medscape, o Dr. Nitun Verma, porta-voz da American Academy of Sleep Medicine, disse que existem evidências de que a privação de sono está associada a humor negativo e ansiedade, “mas é interessante que esse estudo tenha como alvo uma resposta emocional negativa específica: a raiva”.

“Uma pessoa que dorme mal pode sofrer um aumento das emoções negativas, e isso compromete a sua interação com os outros. É um exemplo de como os efeitos de noites mal dormidas podem ser considerados ‘contagiosos’. A mensagem para a saúde pública? Dormir bem não faz bem apenas para você, mas para todos ao seu redor”, disse o Dr. Nitun, que não participou do estudo.

O Dr. Zlatan trabalha como editor associado para o Personality and Social Psychology Bulletin, Journal of Research in Personality,and SLEEP Advances. O Dr. Nitun informou não ter conflitos de interesses.

FONTE: MEDSCAPE

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