Biomarcador sérico pode prever progressão da doença de Parkinson

Um novo biomarcador pode ajudar a identificar a progressão da doença de Parkinson, distingui-la de outras doenças neurodegenerativas e monitorar a resposta ao tratamento. Embora o neurofilamento de cadeia leve (NCL) não seja específico, é o primeiro marcador sérico para a doença de Parkinson.

Os neurofilamentos são componentes do citoesqueleto neural, onde mantêm a estrutura, além de outras funções. Após o dano axonal, os neurofilamentos de cadeia leve são liberados em fluidos extracelulares. Previamente, os neurofilamentos de cadeia leve haviam sido detectados no líquido cefalorraquidiano em pacientes com esclerose múltipla e demências neurodegenerativas. A presença de neurofilamentos de cadeia leve no líquor pode distinguir a doença de Parkinson da atrofia de múltiplos sistemas e da paralisia supranuclear progressiva.

Isso é útil, mas um marcador sérico abriria novas portas.

“Um biomarcador facilmente acessível, que servirá como indicador de diagnóstico, do estado da doença e da sua progressão, bem como um marcador da resposta às intervenções terapêuticas, é necessário. Um biomarcador irá fortalecer a habilidade de selecionar pacientes para a inclusão e estratificação nos estudos clínicos”, comentou a Dra. Okeanis Vaou, médica e diretora do programa de transtornos do movimento no St. Elizabeth’s Medical Center, nos Estados Unidos. A Dra. Okeanis não participou do estudo, que foi publicado em 15 de agosto no periódico Movement Disorders .

Possível biomarcador?

Para determinar se os níveis séricos de neurofilamento de cadeia leve teriam correlação com os valores no líquor e se seriam um possível biomarcador, uma grande equipe multi-institucional de pesquisadores, liderada pela Dra. Brit Mollenhauer, médica do University Medical Center Goettingen, na Alemanha, e pela Dra. Danielle Graham, médica da Biogen, utilizaram dados de um projeto prospectivo, longitudinal, de único centro, chamado coorte De Novo da doença de Parkinson (DeNoPa).

Os pesquisadores analisaram dados de 176 pessoas, incluindo pacientes virgens de tratamento com doença de Parkinson recém-diagnosticada; controles pareados por idade, sexo e grau de instrução; e pacientes inicialmente diagnosticados com Parkinson, mas cujo diagnóstico mudou para um cognato ou para um transtorno neurodegenerativo. Os pesquisadores também obtiveram 514 amostras de sérum da coorte longitudinal, observacional e multicêntrica internacional do estudo Parkinson’s Progression Marker Initiative (PPMI).

Na coorte do DeNoPa, os pacientes com transtorno neurodegenerativo tiveram os maiores níveis medianos de neurofilamento de cadeia leve no líquor no início do estudo (839 pg/mL), seguidos pelos pacientes com doença de Parkinson (562 pg/mL) e controles saudáveis (494 pg/mL). Houve uma forte correlação entre os níveis de neurofilamento de cadeia leve séricos e no líquor em um estudo transversal exploratório no estudo PPMI.

As covariáveis de idade e sexo no estudo PPMI explicaram 51% da variabilidade do neurofilamento de cadeia leve. Depois de ajustes para idade e sexo, os níveis séricos medianos do neurofilamento de cadeia leve ao início do estudo foram maiores no grupo com transtorno neurodegenerativo (16,23 pg/mL), seguidos pelo grupo doença de Parkinson genética (13,36 pg/mL), participantes prodrômicos (12,20 pg/mL), pacientes com doença de Parkinson (11,73 pg/mL), portadores de mutação não acometidos (11,6 3 pg/mL) e controles saudáveis (11,05 pg/mL; teste F: P < 0,0001). O neurofilamento de cadeia leve sérico mediano aumentou em 3,35% por ano com a idade (P < 0,0001) e foi 6,79% maior em mulheres (P = 0,0002).

A duplicação dos níveis séricos de neurofilamento de cadeia leve ajustados foi associada a um aumento mediano na pontuação total na Escala Unificada de Avaliação da doença de Parkinson, da Movement Disorder Society, de 3,45 pontos (taxa ajustada para falsa descoberta, FDR, P = 0,0115), uma redução mediana na pontuação total do Teste Modalidade Símbolos-Dígitos de 1,39 (FDR P = 0,026), uma redução mediana na pontuação de discriminação de reconhecimento no instrumento de avaliação Hopkins Verbal Learning Tests de 0,3 (FDR P = 0,03) e uma redução mediana na pontuação de retenção dos Hopkins Verbal Learning Tests de 0,029 (FDR P = 0,04).

Marcadores mais específicos são necessários

Os achados são intrigantes, disse a Dra. Okeanis, mas “nós precisamos reconhecer que o aumento dos níveis de neurofilamento de cadeia leve não suficientemente é específico para a doença de Parkinson, e que refletem dano neuronal e axonal. Assim, existe uma necessidade de marcadores mais específicos para auxiliar na acurácia diagnóstica, taxa de progressão e prognóstico final. Um estudo do neurofilamento de cadeia leve sérico pode ser útil para que os médicos avaliem pacientes com diagnóstico de doença de Parkinson ou transtorno neurodegenerativo e para mitigar o erro diagnóstico na doença de Parkinson atípica. O neurofilamento de cadeia leve pode ser particularmente útil para diferenciar a doença de Parkinson de transtornos cognatos, como a atrofia de múltiplos sistemas, paralisia supranuclear progressiva e demência por corpos de Lewy”.

O sucesso atual é resultado de grandes bases de dados de pacientes contendo informações fenotípicas, imagens, exames de tecido, sangue e líquido cefalorraquidiano, assim como de colaborações entre grupos de defesa, universidades e indústrias, disse a Dra. Okeanis. À medida que o trabalho avançar, ele pode revelar biomarcadores mais específicos, “que nos permitam não apenas um diagnóstico e tratamento mais fáceis, mas que também ajudem na progressão da doença, inclusão, recrutamento e estratificação em ensaios clínicos, assim como serem indicadores de resposta a intervenções terapêuticas de um medicamento em pesquisa”.

O estudo foi financiado pela Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research. A Dra. Okeanis informou não ter conflitos de interesses.

FONTE: Mollenhauer B et al. Mov Disord. 15 de agosto de 2020. doi: 10.1002/mds.28206.

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