Medo de ficar sem celular é associado a problemas de sono em universitários

A nomofobia (o termo original em inglês, nomophobia, é uma abreviação de no mobile phobia ) ou medo de ficar sem um telefone celular ou sem contato por celular, é extremamente prevalente entre estudantes universitários e está associada a hábitos de sono ruins e fadiga.

Em um estudo com mais de 300 estudantes universitários, quase 9 em 10 (89%) foram classificados como tendo nomofobia moderada a grave. Maiores níveis de nomofobia foram significativamente relacionados com sonolência diurna e mais comportamentos associados com higiene do sono ruim.

“Minha equipe de pesquisa de graduandos teve a ideia para esse estudo”, disse ao Medscape a pesquisadora Dra. Jennifer Peszka, Ph.D., professora de psicologia no Hendrix College em Conway, nos Estados Unidos.

Ela explicou que seus estudantes vinham avaliando o impacto do uso de tecnologias nas duas horas antes de dormir, e levantaram a hipótese de que o “vício em celular” pode ter um papel nos problemas de sono.

A propósito, “o grupo fazendo a pesquisa era composto de estudantes com um nível bem alto de nomofobia, portanto, eles estavam realmente interessados no resultado”, disse a Dra. Jennifer.

Os achados do estudo foram apresentados no Virtual SLEEP 2020, o 34º encontro anual das Associated Professional Sleep Societies.

Provável suspeito

O estudo incluiu 327 graduandos (média de idade de 19,7 anos) recrutados de cursos de psicologia introdutórios e por jornais do campus. Eles completaram vários questionários, incluindo o Questionário de Nomofobia, a Epworth Sleepiness Scale (ESS), e o Índice de Higiene do Sono.

A nomofobia foi prevalente, com quadros leves, moderados e graves sendo relatados por 10%, 83% e 7% dos estudantes, respectivamente. Apenas um estudante informou não ter nomofobia.

A Dra. Jennifer disse que o fato de 89% dos estudantes apresentarem nomofobia moderada ou grave é “preocupante”, dado um estudo de 2012 sugerindo que 77% das pessoas de 18 a 24 anos de idade tinha nomofobia. Essa fobia “está aumentando rapidamente”, lamentou.

A nomofobia mais grave foi significativamente correlacionada a maior sonolência, aferida tanto pela ESS (P < 0,05) como pelo item de sonolência diurna do questionário Características Associadas com Má Higiene do Sono (P < 0,05).

A nomofobia mais grave também foi relacionada com a redução da motivação (um sintoma frequentemente relatado por sono insuficiente) e com mais comportamentos de higiene do sono mal adaptados (incluindo uso de tecnologia durante o tempo de sono, longos cochilos durante o dia, horários de despertar e dormir inconsistentes, uso da cama para propósitos não relacionados com o sono, cama desconfortável e ruminação cognitiva ao dormir).

Pesquisas anteriores mostraram que os smartphones podem levar a hábitos compulsivos de “checagem”, uso compulsivo, aumento da angústia e comportamentos potencialmente viciantes. O uso ativo do celular na hora de dormir também tem sido implicado na perturbação do sono.

A nomofobia provavelmente é uma consideração importante ao se tratar transtornos do sono e/ou realizar recomendações associadas a higiene do sono, disse a Dra. Jennifer.

Proliferação de “corujas”

Convidado a comentar, o Dr. Rajkumar (Raj) Dasgupta, médico da University of Southern California Keck School of Medicine, nos EUA, disse que esse é um “estudo muito oportuno em função da covid-19. Agora, mais do que nunca, a tecnologia é uma faca de dois gumes. Eu sou pai de três crianças e, por ora, a tecnologia é a única forma que algumas crianças estão podendo socializar e aprender”.

No entanto, a base para uma boa higiene do sono é manter uma rotina noturna, disse o Dr. Raj, que não participou do estudo.

“Agora parece que todos os meus pacientes relacionados com o sono estão se tornando corujas, e a hora de dormir está sendo cada vez mais adiada, porque há muitas notícias para acompanhar. As pessoas também podem estar estressadas à noite e sem motivação para acordar cedo”, disse o Dr. Raj.

Ele disse que é importante orientar os pacientes a “deixarem a tecnologia de lado à noite. Isso serve para crianças e adultos”.

O estudo foi financiado pelo Fundo de Psicologia do Hendrix College Charles Brewer. A Dra. Jennifer e o Dr. Raj informaram não ter conflitos de interesses.

 

FONTE: MEDSCAPE

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