Vitamina D falha em prevenir depressão em adultos de 50 anos ou mais

Achados de um grande estudo randomizado e controlado desencorajam o uso de suplementos de vitamina D3 em adultos apenas para prevenir quadros de depressão.

Entre os adultos com 50 anos ou mais sem sintomas depressivos clinicamente relevantes ao início do estudo, a suplementação de vitamina D3 realizada por cinco anos não reduziu o risco de depressão nem fez diferença na qualidade do humor.

“O estudo está entre os maiores deste tipo, e foi capaz de avaliar se a suplementação de vitamina D3 é útil para o que chamamos de ‘prevenção universal’ da depressão”, disse ao Medscape a Dra. Olivia Okereke, médica do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos.

“Esses resultados mostram que não existe benefício em usar suplementos de vitamina D3 apenas para prevenir a depressão na população em geral de adultos de meia-idade e idosos”, disse a Dra. Olivia.

“Por conta da alta dose, longa duração do tratamento, e desenho randomizado e controlado por placebo, podemos ter uma alta confiança nos resultados”, acrescentou a médica.

O estudo foi publicado on-line em 04 de agosto no periódico JAMA.

Estudo VITAL-DEP

Os achados são baseados em 18.353 adultos com idade avançada (média de idade de 67,5 anos; 49% mulheres) incluídos no estudo VITAL-DEP. Destes, 16.657 apresentavam risco de depressão incidente (ou seja, não tinham história de depressão) e 1.696 tinham risco de depressão recorrente (ou seja, tinham história de depressão, mas não haviam sido submetidos a tratamento nos últimos dois anos).

Quase a metade dos participantes foi randomizada para receber vitamina D3 (2.000 UI/dia de colecalciferol) e a metade recebeu placebo equivalente por uma mediana de 5,3 anos. O nível médio de 25-hidroxivitamina D dos participantes era de 31,1 ng/mL. Cerca de 12% registraram níveis < 20 ng/mL.

Não houve diferença significativa em relação ao risco de depressão ou de sintomas depressivos clinicamente relevantes (casos incidentes e recorrentes somados) entre o grupo vitamina D3 (609 eventos de depressão ou sintomas depressivos clinicamente relevantes; 12,9/1.000 pessoa-anos) e o grupo placebo (625 eventos de depressão ou sintomas depressivos clinicamente relevantes; 13,3/1.000 pessoa-anos). A razão de risco (HR, sigla do inglês, Hazard Ratio) foi de 0,97; intervalo de confiança (IC) de 95% de 0,87 a 1,09 (P = 0,62).

“As curvas de incidência cumulativa mostraram ausência de separação entre os grupos de tratamento ao longo de todo o acompanhamento”, relataram os pesquisadores.

Também não houve diferença significativa entre os grupos em relação ao outro desfecho primário – diferença média nas pontuações de humor obtidas no Questionário de Saúde do Paciente (PHQ-8, sigla do inglês, Patient Health Questionnaire) de oito itens.

A diferença média de pontos no PHQ-8 para mudança entre os grupos de tratamento não foi significativamente diferente de 0 ao longo de todo o acompanhamento (0,01 pontos; IC 95% de -0,04 a 0,05 pontos) ou em qualquer altura do acompanhamento.

Até o momento, 13 ensaios clínicos randomizados examinaram os efeitos da suplementação de vitamina D2 na depressão ou no humor na meia-idade ou em idosos, e todos, exceto um, relataram achados nulos, Dra. Olivia e colaboradores observaram no artigo.

O estudo em questão é o único suficientemente grande para analisar a pertinência da suplementação de vitamina D3 para a prevenção universal da depressão, pontuaram eles.

Embora os achados não endossem a necessidade de suplementação de vitamina D3 para prevenção de depressão, afirmou a Dra. Olivia, “ainda não podemos excluir a possibilidade de benefício com uso da vitamina D3 para prevenção de depressão em subgrupos com determinados fatores de risco. Nós também sabemos que a vitamina D é essencial para a saúde dos ossos, e esse estudo não nos diz se a vitamina D3 é útil para a prevenção de outros desfechos em saúde”.

O VITAL-DEP foi financiado por um fundo do National Institute of Mental Health. A Pharmavite LLC doou a vitamina D3, os placebos equivalentes e as embalagens na forma de calendário. A Dra. Olivia informou que recebe royalties da Springer Publishing por um livro sobre a prevenção da depressão em idosos.

 

Fonte: Medscape

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