Covid-19: Especialistas pedem ação global urgente para prevenção do suicídio

Um grupo internacional de especialistas em suicídio solicitou que os governos de todos os países tomem medidas para evitar um possível aumento nas taxas de suicídio por causa da pandemia da Covid-19 (sigla do inglês, Coronavirus Disease 2019).

Em um comentário publicado on-line em 21 de abril no periódico Lancet Psychiatry, os membros da International Covid-19 Suicide Prevention Research Collaboration alertaram sobre o possível aumento das taxas de suicídio à medida que a pandemia se espalha e seus efeitos de longo prazo na economia, na população em geral e nos grupos mais vulneráveis se tornam mais claros.

“A prevenção do suicídio, portanto, precisa ser considerada como urgência. A resposta deve reforçar as políticas e práticas gerais de saúde mental e ir além”, escreveram os especialistas.

A colaboração Covid-19 foi iniciada pelo Dr. David Gunnell, médico, University of Bristol, no Reino Unido e conta com 42 membros com expertise em suicídio em todo o mundo.

“Somos um grupo ad-hoc internacional de pesquisadores de prevenção ao suicídio, líderes de pesquisa e membros de organizações internacionais de prevenção ao suicídio. Temos especialistas em saúde pública, psiquiatria, psicologia e outras disciplinas clínicas”, disse o Dr. David ao Medscape.

“Com este artigo, esperamos compartilhar nossas ideias e experiências sobre as melhores práticas, e pedir para que outras pessoas que trabalham no campo da prevenção ao suicídio em nível regional, nacional e internacional compartilhem nossas recomendações de intervenção e vigilância/coleta de dados com os devidos formuladores de políticas”, acrescentou ele.

Lições do passado

Durante os períodos de crise, pessoas com transtornos psiquiátricos podem sofrer agravamento dos sintomas, enquanto as demais podem desenvolver problemas psiquiátricos, principalmente depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), segundo o grupo.

Existem evidências de que a taxa de suicídio aumentou nos Estados Unidos durante a pandemia de gripe espanhola em 1918 e entre idosos em Hong Kong durante o surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2003.

O aumento da taxa de suicídio relacionado com a Covid-19 é evitável, desde que a ação preventiva seja imediata, escreveu o grupo.

No artigo, o grupo citou várias ações de saúde pública para mitigar o risco de suicídio associado à pandemia de Covid-19.

Alguns exemplos:

As ações de saúde pública também devem garantir acesso a um local seguro para momentos de crise e apoio para que aqueles que enfrentam violência doméstica, sugeriram.

“Esta é uma época sem precedentes. A pandemia causará sofrimento e deixará muitos vulneráveis. As consequências para a saúde mental provavelmente estarão presentes por mais tempo e atingirão o pico depois da pandemia. No entanto, as evidências de pesquisa e a experiência de estratégias nacionais fornecem uma base sólida para a prevenção do suicídio”, escreveu o grupo.

O Dr. David disse que é difícil prever qual será o impacto da pandemia nas taxas de suicídio, “mas, dada a variedade de problemas, é importante estar preparado e adotar medidas para mitigar ao máximo os possíveis riscos”.

Sobre o aumento da venda de armas de fogo

O Dr. Eric Fleegler, médico, e seus colegas do Boston Children’s Hospital e da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, concordaram.

“A hora de agir é agora. Abordagens populacionais e individuais são necessárias para reduzir o risco de suicídio nos próximos meses”, escreveram em um comentário publicado on-line no dia 22 de abril no periódico Annals of Internal Medicine.

Dr. Eric e colaboradores estão especialmente preocupados com o potencial aumento de suicídios ligados a armas de fogo, já que a venda de armas nos EUA “disparou” desde o início da pandemia de Covid-19.

Em março, mais de 2,5 milhões de armas de fogo foram vendidas, incluindo 1,5 milhão de pistolas. Isso representa um aumento de 85% nas vendas de armas em comparação com março de 2019. A maior venda de armas de fogo já registrada nos EUA.

Além disso, as pesquisas mostraram que indivíduos que compram pistolas têm uma taxa 22 vezes maior de suicídio por armas de fogo no primeiro ano do que aqueles que não compraram.

“Na melhor das hipóteses, o aumento da posse de armas está associado ao aumento do risco de suicídio por arma de fogo. Esta não é a melhor hora”, escreveram os autores.

Dr. Eric e colaboradores disseram que também é importante entender que os suicídios por armas de fogo estavam aumentando muito antes da Covid-19. De 2006 a 2018, as taxas de suicídio por armas de fogo aumentaram mais de 25%, de acordo com o National Center for Injury Prevention and Control. Somente em 2018, houve 24.432 suicídios por arma de fogo nos EUA.

“Os Estados Unidos deveriam adotar políticas e ações clínicas para evitar uma possível epidemia de suicídio por arma de fogo após a pandemia de Covid-19”, concluíram.

Esta pesquisa não teve financiamento específico. Dr. David Gunnell e Dr. Eric Fleegler informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

 

FONTE: MEDSCAPE

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