Transmissão intergeracional do transtorno bipolar parece ser principalmente genética

Estados Unidos (Reuters Health) – A transmissão intergeracional do transtorno bipolar depende em grande parte de genes, dizem pesquisadores.

Quase todos os estudos que buscam identificar o papel dos fatores genéticos e ambientais na hereditariedade do transtorno bipolar são focados nas semelhanças dentro de uma mesma geração, sendo geralmente estudos com gêmeos.

O Dr. Kenneth S. Kendler, da Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos, e colaboradores usaram informações de registros populacionais suecos para avaliar o impacto da genética versus os efeitos da criação na transmissão intergeracional do transtorno bipolar (de pais para filhos), bem como a associação familiar através de gerações entre o transtorno bipolar e esquizofrenia ou depressão maior.

O estudo incluiu 2,4 milhões de filhos membros dos seguintes tipos de família: (1) intacta: filhos que moram com a mãe e o pai biológicos na mesma casa; (2) sem a presença do pai biológico: filhos que nunca moraram com o pai biológico; (3) com a presença de padrasto: filhos que moram com um homem com o qual não têm relação biológica; e (4) adotiva: crianças adotadas antes dos cinco anos.

Tanto entre os pais como entre os filhos, a prevalência de transtorno bipolar, depressão maior, psicose não afetiva e esquizofrenia geralmente foi mais baixa em famílias intactas, intermediária em famílias com padrasto e mais alta em famílias sem a presença do pai biológico e adotiva.

De acordo com o relato dos pesquisadores no periódico JAMA Psychiatry, a magnitude da transmissão do transtorno bipolar à prole foi de:

Entre mães e pais, a transmissão foi de 0,25 para genes + criação; 0,22 para genes isolados; e 0,07 para criação isolada.

A transmissão intergeracional de transtorno bipolar e depressão maior foi de 0,09 para genes + criação; 0,04 para genes isolados; e de 0,05 para criação isolada.

Em relação à transmissão de transtorno bipolar e esquizofrenia de pais para filhos, as magnitudes estimadas de transmissão foram: 0,12 para genes + criação; 0,12 para genes isolados; e – 0,03 para criação isolada.

Com base nos dados disponíveis sobre as relações de genes isolados com os pais, as correlações genéticas entre as gerações foram de 0,302 entre transtorno bipolar e depressão maior e 0,572 entre transtorno bipolar e esquizofrenia.

“Os achados deste estudo sugerem que os genes são os principais responsáveis pela transmissão intergeracional do transtorno bipolar, embora efeitos modestos da criação também estejam presentes”, concluíram os autores.

“A transmissão intergeracional de transtorno bipolar e esquizofrenia parece ser inteiramente genética, com uma correlação genética moderada. Em relação ao transtorno bipolar e à depressão maior, a transmissão parece resultar igualmente de genes e criação, com uma correlação genética modesta.”

“Esses resultados são baseados em diagnósticos clínicos e, até onde sabemos, um novo desenho de estudo de adoção estendida”, observaram os pesquisadores.

“No entanto, acreditamos que a aparente validade de nossos resultados é sustentada por sua consistência entre os tipos de família e, com duas exceções modestas, as estimativas da transmissão do transtorno bipolar nos pais e do transtorno bipolar nos filhos”.

O Dr. John R. Kelsoe, da University of CaliforniaSan Diego, nos EUA, que estuda fatores genéticos associados ao transtorno bipolar, disse à Reuters Health por e-mail: “A sobreposição genética entre o transtorno bipolar, a esquizofrenia e o transtorno depressivo maior já havia sido publicada anteriormente em estudos de caso-controle, mas este é um dos primeiros a avaliar famílias, e também utiliza um enorme tamanho amostral. O estudo em tela confirma nas famílias o que foi observado em outras amostras.”

“A implicação clínica é que o transtorno bipolar é mais parecido com a esquizofrenia do que com o transtorno depressivo maior, o que implica que pacientes na fase depressiva do transtorno bipolar podem não responder aos tratamentos com antidepressivos, geralmente usados para o transtorno depressivo maior”, disse o Dr. John, que não participou da pesquisa em pauta. “Isso é exatamente o que a literatura indica.”

O Dr. Kenneth não respondeu ao contato solicitando comentários.

FONTE: https://bit.ly/3ak0N7S

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Novídades

Biopsico, todos os direitos reservados - 2017