Exacerbação da asma é mais frequente em crianças ansiosas ou deprimidas

Crianças e adolescentes com ansiedade e depressão têm índice mais alto de idas ao pronto-socorro (PS) por crises de asma, de acordo com um estudo publicado on-line em 25 de setembro no periódico Pediatrics.

Os pesquisadores analisaram dados de 65.342 pacientes pediátricos com asma incluídos no Massachusetts All-Payer Claims Database, e constataram que quase um quarto (24,7%) tinham diagnóstico adicional de ansiedade (11,2%), depressão (5,8%) ou ambas (7,7%).

Além disso, pacientes com depressão e ansiedade coexistentes tiveram probabilidade duas vezes maior de procurar o pronto-socorro por alguma emergência relacionada com a asma em comparação com as crianças com asma, porém sem diagnóstico de transtorno psiquiátrico.

“Parte da razão pela qual nos concentramos nos atendimentos no pronto-socorro”, disse a primeira autora, Dra. Naomi Bardach, “é porque isso é sinal de que a asma do paciente está fora de controle; é sinal de que podemos fazer alguma coisa por esta criança”.

O índice global de atendimento por asma no pronto-socorro foi de 17,1 consultas por 100 criança-anos. No entanto, entre as crianças com ansiedade e depressão, o índice subiu para 18,9 e 21,7 atendimentos no pronto-socorro por 100 criança-anos, respectivamente. As crianças com ansiedade e depressão tiveram o índice mais elevado de utilização do pronto-socorro (27,6) quase duas vezes o índice entre as crianças sem diagnóstico de transtorno mental (15,5).

Sem dados fisiológicos, não fica clara a forma como a interação da asma e da ansiedade ou da depressão aumenta o número de atendimentos no pronto-socorro, disse Dra. Naomi, professora de pediatria e política de saúde na University of California San Francisco, Estados Unidos. Mas, o estresse e a ansiedade são conhecidos por exacerbar os sinais e sintomas da asma, então é possível que o estresse possa estar na origem das crises de asma e da ansiedade da criança, disse a pesquisadora ao Medscape. Alternativamente, a depressão e a ansiedade podem dificultar a adesão do paciente aos medicamentos e o controle da doença, o que poderia aumentar o risco de exacerbações.

O que é claro, disse a Dra. Naomi, é que existe um vínculo significativo entre a saúde mental de uma criança e a quantidade de vezes que uma família vai ao pronto-socorro por causa de crises de asma ou outros sinais e sintomas graves. Então, isso incentiva, disse Dra. Naomi, os médicos do atendimento primário a fazer o rastreamento de transtornos comportamentais, como recomendado pela American Academy of Pediatrics , especialmente nas crianças asmáticas.

Da mesma forma, se a asma de um paciente não estiver controlada ou não responder ao tratamento, os pneumologistas podem considerar o rastreamento de depressão e ansiedade, ou encaminhar o paciente para esse rastreamento, como uma possível próxima etapa.

Para as crianças que têm asma e transtornos mentais, pode ser necessário haver um aconselhamento mais intensivo sobre o uso dos medicamentos e o reconhecimento dos sinais e sintomas da doença. A ansiedade e a depressão podem dificultar o reconhecimento e a resposta aos sinais e sintomas pelos pacientes, e pode ser difícil diferenciar entre os sinais e sintomas de asma, ansiedade e depressão, bem como os efeitos colaterais dos medicamentos, escreveram os autores.

Além disso, os médicos podem considerar um agendamento mais frequente das consultas de acompanhamento desses pacientes, disse a Dra. Naomi, de modo a assegurar que estejam seguindo o tratamento e controlando ambas ou todas as suas doenças.

 

Fonte: Medscape

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