Tendenciosidade é altamente prevalente nos principais Abstracts de periódicos de psiquiatria

Mais de metade dos Abstracts de ensaios clínicos publicados nos principais periódicos de psiquiatria e psicologia que apresentaram desfechos primários negativos exageraram o significado clínico de algum tratamento em particular, de acordo com uma nova análise.

Isso é potencialmente “perigoso”, disse ao Medscape o primeiro autor, Samuel Jellison, estudante de medicina do College of Osteopathic MedicineOklahoma State University Center for Health Sciences, nos Estados Unidos.

“Se os médicos estiverem sendo enganados pelos pesquisadores, isto pode fazer com que eles alterem condutas clínicas que não estejam cientificamente embasadas e, talvez, haja uma piora na qualidade do atendimento ao paciente”, disse Samuel.

O pesquisador espera que o estudo chame atenção para essa “conduta desleixada em pesquisas” e fortaleça a capacidade de “avaliação crítica da literatura” por parte dos médicos.

O estudo foi publicado on-line em 05 de agosto no periódico BMJ Evidence-Based Medicine.

Prevalente e preocupante

Os pesquisadores varreram o banco de dados PubMed buscando ensaios controlados e randomizados de tratamentos psiquiátricos e comportamentais publicados entre 2012 e 2017 nos seis dos principais periódicos de psicologia e psiquiatria: British Journal of Psychiatry; Psychological Medicine; Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry; JAMA Psychiatry; Journal of Child Psychology and Psychiatry; e American Journal of Psychiatry.

Dos 486 estudos avaliados, 116 tinham desfechos primários não significativos e foram incluídos na análise.

“Tendenciosidade” foi definida pelos pesquisadores como o “uso de estratégias específicas de redação, por qualquer motivo, para destacar que o tratamento experimental é benéfico, apesar de uma diferença estatisticamente não significativa para o desfecho primário, ou para distrair o leitor de resultados estatisticamente não significativos”.

Os pesquisadores encontraram evidências de tendenciosidade nos Abstracts de 65 (56%) dos ensaios publicados. A tendenciosidade foi encontrada em dois (2%) títulos, 24 (21%) seções de resultados dos Abstracts, e 57 (49%) seções de conclusão do Abstracts. Em 17 (15%) estudos, a tendenciosidade foi identificada tanto nas seções de resultados quanto de conclusão do Abstracts.

“Portanto, não apenas a tendenciosidade tende a ser prevalente na literatura, como também pode ser prevalente em um único artigo”, disse Samuel.

A tendenciosidade foi mais comum em estudos que compararam um medicamento ou terapia comportamental específicos com uma intervenção placebo ou tratamento usual. O financiamento da indústria não foi associado a maior probabilidade de resultados com “viés”.

Samuel disse que os tipos mais comuns de tendenciosidade foram encontrados na seção de conclusão dos Abstracts, que geralmente se manifestaram de três maneiras:

 

Fonte: Medscape.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Novídades

Biopsico, todos os direitos reservados - 2017