Novos dados sobre antidepressivos e risco de AVC

O uso de antidepressivos que inibem fortemente a serotonina está associado a um risco relativamente menor de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em comparação com os antidepressivos que inibem pouco este neurotransmissor, sugerem os resultados de um grande estudo populacional.

Os pesquisadores identificaram uma redução de 12% do risco de AVC isquêmico entre os participantes do estudo tomando fortes inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) ou antidepressivos de terceira geração, em comparação com os participantes que tomavam um inibidor da recaptação da serotonina fraco.

“O uso de fortes inibidores de recaptação de serotonina pode estar associado a uma pequena diminuição do risco de AVC isquêmico, sem modificar o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) , disse ao Medscape a pesquisadora do estudo, Dra.Christel Renoux, Ph.D., médica e professora assistente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da McGill University e do Jewish General Hospital – Lady Davis Research Institute, no Canadá.

Fonte: Medscape

Segurança cardiovascular: preocupação constante

Na população geral, a depressão e a doença cardiovascular costumam coexistir. Essa coexistência significa que é comum que os antidepressivos sejam prescritos para pacientes que têm mais risco de isquemia. Os pesquisadores também indicam que “a segurança cardiovascular destes medicamentos tem sido uma preocupação constante”.

Estimar os antidepressivos além da classe farmacológica pode fazer sentido na avaliação dos seus efeitos cardiovasculares, especificamente, na afinidade de cada substância pelo cotransportador da recaptação de serotonina.

A inibição do transporte da serotonina para os trombócitos pode interferir na sua função, explicaram os pesquisadores, “e os antidepressivos que inibem fortemente a recaptação da serotonina têm sido associados ao aumento do risco de sangramento importante, como hemorragia gastrointestinal e hemorragia intracraniana.

“Portanto, foi aventada a hipótese de que os inibidores fortes possam diminuir inversamente o risco de eventos isquêmicos arteriais”, indicaram os pesquisadores.

Embora este não seja o primeiro estudo a avaliar a relação entre os antidepressivos e o risco de AVC/IAM, a maioria dos trabalhos anteriores teve “várias limitações metodológicas, como escolha inadequada do desenho do estudo, ausência de um comparador ativo, fatores de confusão residual importantes ou viés de seleção”, escreveram os pesquisadores.

Em busca de uma resposta mais definitiva, os pesquisadores fizeram um estudo de coorte retrospectivo com casos controle pareados. Foram identificados 868.755 adultos que tinham recebido uma nova prescrição de ISRS e 69.633 que estavam tomando algum antidepressivo de terceira geração entre 1º de janeiro de 1995 e 30 de junho de 2014. Do total, 64% da coorte eram mulheres.

Usando o banco de dados Clinical Practice Research Datalink do Reino Unido, Dra. Christel e colaboradores avaliaram os desfechos de acordo com o uso de antidepressivos pelo seu grau de inibição da recaptação de serotonina.

Duloxetinafluoxetinaparoxetina e sertralina são inibidores fortes; citalopramescitalopramfluvoxamina e venlafaxina foram classificados como inibidores intermediários; e mianserina, mirtazapinanefazodona, reboxetina, agomelatina e viloxazina são inibidores fracos.

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