Sexting entre adolescentes nem sempre é um problema

sexting – troca de mensagens com conteúdo explícito – entre adolescentes está ligado ao aumento da probabilidade de certos tipos de comportamento de risco, mas uma nova análise das pesquisas feita sobre o impacto do conteúdo sexualmente explícito na saúde do adolescente também mostra que ainda há muito que não sabemos.

O que se sabe é que sexting é um fato da vida para muitos adolescentes hoje em dia. Pelo menos um em cada quatro deles está recebendo mensagens e e-mails sexualmente explícitos, e pelo menos um em cada sete está enviando esse tipo de mensagem, escreveram os pesquisadores no periódico JAMA Pediatrics de 17 de junho. O que é menos claro, porém, é o quanto dessa atividade é uma parte normal e saudável do crescimento, e o quanto ela pode ser prejudicial.

Para o estudo atual, os pesquisadores examinaram dados de 23 estudos sobre sexting com mais de 41.000 participantes. Sexting, nesta análise, incluiu o envio, o recebimento, a solicitação e o encaminhamento de conteúdo escrito sexualmente explícito, fotos e vídeos usando mensagens de SMS, e-mail, aplicativos ou mídia social.

Em comparação com os adolescentes que não participaram de nenhum tipo de sexting, aqueles que o fizeram tiveram mais de três vezes a probabilidade de serem sexualmente ativos, mais de cinco vezes mais chances de terem múltiplos parceiros sexuais, e foram mais de duas vezes mais propensos a terem relações sexuais desprotegidas. Adolescentes que se engajaram em sexting também foram três vezes mais propensos a beber álcool ou a usar drogas.

“Alguns jovens podem se engajar em sexting com a intenção inofensiva de exploração sexual, mas problemas podem ocorrer quando essas intenções resultam em consequências prejudiciais ou indesejadas, como ter a própria foto sexualmente explícita compartilhada sem o seu consentimento ou não ter reciprocidade no sexting“, disse Sheri Madigan, do Alberta Children’s Hospital Research Institute e da University of Calgary, no Canadá.

“Em outros casos, os adolescentes podem ser pressionados a fazer sexo, como ser solicitado ou coagido a enviar uma mensagem de sexting, o que pode causar sofrimento emocional”, disse Sheri, autora sênior do estudo, por e-mail.

“Então há aqueles que usam o sexting como um meio de conseguir atenção porque estão se sentindo isolados, deprimidos ou sem confiança”.

Se o sexo é prejudicial ou não, depende realmente da situação, acrescentou Sheri.

Embora o sexting tenha sido associado ao envolvimento em comportamentos de risco, o estudo não foi desenhado para ser capaz de determinar causa e efeito.

Uma limitação da análise é que ela agrupou todos os tipos de sexting. Isso tornou impossível distinguir trocas íntimas, no contexto de um relacionamento estabelecido, de interações indesejadas. Tampouco conseguiu avaliar se SMS simples teriam um impacto diferente quando comparados com fotos ou vídeos.

Dependendo da natureza do sexting, no entanto, os adolescentes podem enfrentar processos nos EUA de acordo com a legislação federal de pornografia infantil e as leis de alguns estados.

Ainda assim, disse David Finkelhor, do Crimes A gainst Children Research Center da University of New Hampshire, em Durham, os adolescentes dos Estados Unidos estão esperando mais tempo para fazer sexo pela primeira vez, tendo menos parceiros e usando contraceptivos de melhor maneira quando comparados à geração anterior.

“Essas são coisas que importam muito mais do que sexting“, disse por e-mailDavid, que não esteve envolvido com o estudo.

sexting também pode variar de “enviar ou receber desde mensagens de texto a fotos usando roupa íntima, até atos sexuais explícitos. Também pode ir de trocas privadas entre casais a esforços mal-intencionados para humilhar alguém, até adultos que tentam encontrar pornografia infantil”, disse David. “Não sabemos se todas essas coisas são igualmente preocupantes”.

Ainda assim, os resultados do estudo sugerem que o sexting precisa fazer parte da conversa sobre sexo que os pais têm com os filhos.

“Conversas específicas sobre cidadania digital, isto é, como ser seguro, legal e ético on  line, devem ser iniciadas por volta dos 10 anos, que é a idade em que a maioria das crianças ganha o primeiro celular”, aconselhou Sheri.

“As conversas sobre a saúde digital e cidadania nunca são conversas do tipo “uma e pronto”, acrescentou Sheri. “Como os pré-adolescentes e adolescentes serão expostos a diferentes riscos on  line à medida que se desenvolvem, as conversas sobre comportamento sexual on  line e off  line devem ser repetidas e adaptadas às necessidades individuais de cada criança ou adolescente da família”.

 

Fonte: Jama Network

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