Galantamina surge como possível tratamento para dependência de opiáceos

O inibidor de colinesterase galantamina parece promissor para o tratamento da dependência química de opiáceos, sugere pesquisa preliminar.

Uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado controlado mostrou redução do uso de opioides com o uso deste intensificador cognitivo. Acredita-se que a galantamina apresente um mecanismo de ação duplo, aumentando os níveis de acetilcolina no cérebro e ligando-se aos receptores nicotínicos, que desempenham um papel na dependência de nicotina e de outras substâncias.

“Eu e meus colegas estamos empolgados com esses resultados preliminares, pois eles podem indicar novas estratégias para ajudar as pessoas com transtorno de uso de opioides. Pretendemos seguir nesse caminho nas próximas pesquisas”, disse a primeira pesquisadora, Dra. Kathleen Carroll, Ph.D., Departamento de Psiquiatria da Yale School of Medicine, em New Haven, Connecticut, em um comunicado à imprensa.

Os resultados foram publicados on-line no dia 04 de junho no periódico American Journal on Addictions.

Efeito contra a dependência?

Pesquisas clínicas anteriores mostraram reduções no consumo pesado de bebidas alcoólicas e de cigarro associadas à galantamina. Além disso, em estudos pré-clínicos os inibidores da colinesterase reduziram a autoadministração de cocaína, opioides e nicotina.

Com isso, a hipótese dos pesquisadores foi que a galantamina (ou, mais genericamente, os inibidores da colinesterase) tem um efeito “antidependência” por meio de um mecanismo comum, compartilhado por diferentes drogas de abuso.

Para investigar o tema, os pesquisadores realizaram uma análise secundária de um ensaio randomizado controlado por placebo, que testou a eficácia da galantamina de liberação prolongada (8 mg por dia) e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) computadorizada como tratamento para o transtorno do uso de cocaína em pacientes estabilizados com metadona para o transtorno de uso de opioides concomitante.

O total de 120 pacientes (média de idade de 38 anos; 67% homens; 52% brancos) fizeram parte do estudo de 12 semanas, que incluiu um acompanhamento de seis meses.

As principais descobertas foram: redução significativa na frequência de uso de cocaína ao longo do tempo para a galantamina versus placebo, e para o TCC vs. tratamento padrão com metadona isolada.

A análise secundária encontrou “efeito principal significativo” para galantamina vs. placebo em termos de porcentagem de amostras de urina negativas para opioides, tanto durante o tratamento (77% vs. 62%; P = 0,027) quanto durante os seis meses de acompanhamento (81% vs. 59%, P = 0,001).

O benefício da galantamina na redução do uso de opioides foi observado logo no início do tratamento, com os pacientes que receberam placebo enviando a primeira amostra de urina positiva para opioides muito antes dos pacientes que estavam tomando galantamina (mediana de dias, 15 vs. 53; P = 0,02).

Novo tratamento para o transtorno de uso de opioides

Em um comentário que acompanha o estudo, o Dr. Scott Moeller, Ph.D., e a Dra. Anissa Abi-Dargham, médica do Departamento de Psiquiatria da Renaissance School of Medicine na Stony Brook University, em Stony Brook, Nova York, disseram que os autores do estudo “parecem ter descoberto um tratamento novo e potencialmente impactante para o transtorno de uso de opioides, uma doença que está devastando os Estados Unidos”.

“Embora o mecanismo comportamental permaneça desconhecido”, escreveram, “este relato, ainda assim, sugere inúmeras direções animadoras para pesquisas futuras. Pesquisas futuras têm o potencial de fornecer informações valiosas sobre a galantamina como um medicamento para avançar a prática clínica, bem como produzir importante conhecimento científico sobre o sistema colinérgico do cérebro, e o seu envolvimento no transtorno de uso de opioides e de outros tipos de dependência química.

“Se os resultados da Dra. Kathleen e colaboradores forem replicados e estendidos em estudos futuros e ensaios clínicos laboratoriais, e dado que a galantamina mostrou eficácia em outros tipos de dependência, como de bebidas alcoólicas e de tabaco, é possível que a galantamina possa vir a ser um medicamento adjuvante de próxima geração para melhorar os desfechos clínicos no transtorno de uso de opioides”, concluíram os Drs. Scott e Anissa.

O estudo recebeu apoio de uma subvenção do National Institute on Drug Abuse.Dra. Kathleen Carroll é membro da CBT4CBT LLC, que disponibiliza formulários validados de CBT4CBT para profissionais de saúde. O Dr. Scott Moeller e a Dra. Anissa Abi-Dargham informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

 

Fonte: Medscape

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