Uso de vitaminas no pré-natal reduz o risco de autismo: mais evidências

O uso de vitaminas durante o primeiro mês de gestação pode reduzir pela metade o risco de transtorno do espectro autista (TEA) em irmãos de crianças afetadas, de acordo com as descobertas publicadas on-line em 27 de fevereiro no periódico JAMA Psychiatry.

Embora algumas pesquisas tenham associado o uso materno de suplementos de ácido fólico durante o início da gravidez com a redução do risco de TEA na criança, não houve estudos sobre esta associação em irmãos mais novos de crianças diagnosticadas com TEA.

A Dra. Rebecca J. Schmidt, Ph.D., da University of California, Davis, e colaboradores examinaram a recorrência de TEA em famílias consideradas de alto risco dada a existência, na prole, de uma criança mais velha com este diagnóstico. O foco em alto risco diminui a necessidade de recrutar um grande número de famílias, não é necessário acompanhar os casos iniciais, e é possível comparar as crianças que vivem em ambientes semelhantes e que compartilham em média metade de seus genomas.

Estudos mostram que irmãos de crianças com TEA têm um risco 12 vezes maior em relação à população em geral, ou seja, uma incidência de TEA variando de 19% a 24%. Irmãos de crianças com TEA também têm maior risco de atraso de linguagem, déficit de atenção, deficiência intelectual e outras características autísticas.

O estudo de coorte prospectivo analisou dados de 241 crianças que têm um irmão com o diagnóstico de TEA. Das crianças, 140 (58,1%) eram do sexo masculino, com média de idade de 36,5 meses.

Os irmãos mais novos nasceram entre 2006 e 2015 e foram avaliados dentro de seis meses após o terceiro aniversário. As mães relataram, por telefone, ter feito uso de vitamina pré-natal durante a primeira e segunda metade da gravidez e após o nascimento.

A maioria das mães (231; 95,9%) relatou ter tomado vitaminas durante a gravidez, mas apenas 87 (36,1%) disse ter tomado durante os seis meses anteriores à concepção, e 128 (53,1%) iniciaram o uso no primeiro mês de gestação.

No total, 55 crianças (22,8%) preencheram os critérios para TEA, 60 (24,9%) não apresentaram desenvolvimento típico, e 126 (52,3%) apresentaram desenvolvimento típico. As crianças no grupo TEA tinham mais chances de ser do sexo masculino do que as do grupo de desenvolvimento típico – 38/55 (69,1%) vs. 65/126 (51,6%); P = 0,03.

Entre as crianças cujas mães tomaram vitaminas no primeiro mês de gestação, a prevalência de TEA foi de 14,1% (18/128), em comparação com 32,7% (37/113) nos filhos de mulheres que não o fizeram. As crianças cujas mães tomaram vitaminas durante o primeiro mês apresentaram menor probabilidade de receber diagnóstico de TEA (risco relativo, RR, ajustado, de 0,50; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,30 a 0,81), mas o risco de desenvolvimento não típico não foi diferente entre os dois grupos aos 36 meses (RR ajustado de 1,14; IC 95%, de 0,75 a 1,75).

Crianças cujas mães tomaram vitaminas no início da gravidez também tiveram menor gravidade dos sintomas do autismo estatisticamente (diferença estimada ajustada de -0,60, IC 95%, de -0,97 a -0,23) e maiores escores cognitivos (diferença estimada ajustada de 7,1, IC 95%, de 1,2 a 13.1).

Além disso, o tercil superior da suplementação média total de ácido fólicodurante o primeiro mês de gestação foi associado a maior redução no risco de TEA, um achado consistente com as indicações de que o período perinatal é particularmente importante. A quantidade recomendada para gravidez é ≥ 600 μg. Multivitamínicos, com menos de 400 μg, não estão associadas a diminuição do risco de TEA.

“Considerando o potencial de maior suscetibilidade genética nessas famílias, essas descobertas, se replicadas, implicam que a suscetibilidade poderia ser potencialmente superada pela manipulação ambiental”, concluem os pesquisadores.

Eles consideram necessárias mais pesquisas aprofundadas sobre os limiares de dose de ácido fólico e os efeitos de outros nutrientes durante o período pré-natal que podem elevar o risco de TEA.

As limitações do estudo são o desenho observacional e a amostra pequena.

Os pesquisadores informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

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