Luta contra a desinformação: o que os médicos podem fazer para combater as fake news

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) passou a incentivar os médicos a combaterem notícias falsas (fake news) sobre saúde [1] nas próprias redes sociais. Com isso, a intenção é desmascarar os boatos tão logo eles surjam, para evitar que se espalhem e causem danos à saúde da população.

Quem não tem conhecimento médico, na maioria vezes tem dificuldade de julgar se aquele alerta sobre saúde que recebeu via WhatsApp é verdadeiro ou não. Quando alguém se depara com um boato, o risco de confiar na informação falsa é real, o que provoca prejuízo à saúde da própria pessoa ou das que a cercam, como no caso das notícias falsas sobre vacinas, que promoveu o retorno de doenças preveníveis por baixa cobertura vacinal.

De acordo com o coordenador do Departamento de Comunicação do Cremesp, Dr. Edoardo Filippo de Queiroz Vattimo, uma das formas pela qual os médicos podem ajudar a combater as fake news é justamente participando ativamente nas redes sociais.

“Se o médico vir alguma postagem na linha do tempo com alguma informação de saúde que não é verdadeira e que pode ser prejudicial à saúde pública, o ideal é que ele sempre intervenha”, explicou. Isso vale inclusive para os grupos de família ou de amigos não médicos no WhatsApp.

Para isso, basta desmentir a informação falsa nos comentários ou em uma mensagem privada para o autor da postagem, se apresentando como médico e avisando que a notícia é incorreta, além de acrescentar qual é a informação correta.

“Assim como as fake news podem viralizar, também podemos viralizar a versão correta dos fatos”, e cada médico pode contribuir individualmente para isso, aconselhou o especialista. “Temos 143 mil médicos ativos em São Paulo, por exemplo, então consideramos que eles podem ser um grande exército no combate às notícias falsas”.

Outra forma de contribuir para esclarecer os boatos é publicar a informação correta na própria rede social, o que ajuda a informar quem visualizar o perfil, além de permitir o compartilhamento da mensagem que desmente a notícia falsa.

Para se inteirar sobre quais são as notícias falsas mais frequentes que circulam nas redes sociais, os médicos podem acessar o banco de dados do Ministério da Saúde [2] para também ajudar a esclarecer pessoalmente os pacientes durante as consultas. Quando se trata de doenças graves como o câncer, conversar com sobre os boatos pode ajudá-los a jamais abandonar o tratamento que tem comprovação científica.

No entanto, o Dr. Edoardo explicou que os médicos que aderirem ao combate às fake news por meio das redes sociais devem ficar atentos para, mesmo que bem intencionados, não violarem a resolução 1974/2011 do manual da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (CODAME), [3] que detalha as exigências éticas em termos de publicidade médica, proibição da indicação de marcas de medicamentos e de sensacionalismo, por exemplo.

Ministério da Saúde apoia prática

No segundo semestre de 2018, o Ministério da Saúde disponibilizou um número de WhatsApp para que a população envie e denuncie notícias falsas sobre saúde. Quando alguém tem dúvidas sobre a veracidade da informação, o Ministério da Saúde também esclarece o fato por meio desse serviço. [2]

Ana Miguel, coordenadora do núcleo multimídia do Ministério da Saúde e responsável por chefiar a equipe que administra o canal que desmente as fake news, vê a atitude do Cremesp como muito positiva, pois vai ao encontro do objetivo do Ministério de combater as notícias falsas e evitar danos à saúde pública.

“Nosso grande intuito é atender à demanda da sociedade, porque temos visto um crescimento de notícias falsas sobre saúde desde o começo de 2017, sobre os mais diversos temas”, explicou. Entre os temas mais frequentes estão as questões sobre imunização e dietas milagrosas para curar o câncer”, disse a coordenadora.

Para ela, a participação dos médicos no combate às fake news é fundamental. “Eles são mais uma força, pois são formadores de opinião e autoridades que vão respaldar se aquela informação é verdadeira ou não”, explicou.

“Muita gente deixa de acreditar no Ministério da Saúde por ser um órgão do governo, mas acredita nos médicos, portanto, eles só vão intensificar de forma positiva essa desmistificação das notícias falsas. É fundamental”.

 

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