A luta pela reclassificação da esquizofrenia como doença neurológica continua

Um grupo de defesa de questões relativas à saúde mental encabeçou uma nova iniciativa para reclassificar a esquizofrenia como doença neurológica em vez de psiquiátrica. A ação tem como objetivo reduzir o estigma e obter mais financiamento para pesquisas dos Centers for Disease Control and Prevention(CDC) norte-americanos.

Em maio de 2018, a organização Schizophrenia and Related Disorders Alliance of America (SRDAA) apresentou um pedido para que a esquizofrenia fosse incluída na implementação da lei 21st Century Cures Act do National Neurological Conditions Surveillance System (NNCSS) – um novo programa dos CDC que recebeu cinco milhões de dólares do Congresso norte-americano para coletar dados sobre a prevalência e os fatores de risco das doenças neurológicas na população dos Estados Unidos.

“Na prática, a diferenciação entre as doenças neurológicas e psiquiátricas é artificial”, disse ao Medscape o Dr. Raymond Cho, médico e professor de psiquiatria do Baylor College of Medicine, em Houston, Texas, e diretor da SRDAA.

“É evidente que os distúrbios neurológicos e psiquiátricos devem ser considerados em conjunto, já que tudo é mediado pelo cérebro, por sistemas neurais e pela neuroquímica, mas o problema é convencer o resto da sociedade, os legisladores, as seguradoras, os membros da família e os pacientes disso”, disse Dr. Raymond.

A “mudança de paradigma que buscamos será voltada para o tratamento e não para apontar culpados, na esperança de que isso se traduza no modo pelo qual o sistema de saúde funciona e é financiado, porque atualmente, apesar das leis de paridade de saúde mental, a forma como o tratamento da ‘saúde mental’ é feito e financiado está muito distante da ideal”, acrescentou.

Vencendo o estigma

“O termo ‘doença mental’ está associado à discriminação e ao estigma, sendo frequentemente relacionado com uma percepção equivocada de que essa doença é culpa do paciente ou talvez da família dele – como a antiga descrição da mãe esquizofrenogênica”, disse ao Medscape Linda Stalters, diretora executiva e fundadora da SRDAA.

O Dr. Raymond descreveu tratar pessoas com psicose precoce e receber pacientes com o primeiro surto esquizofrênico e suas famílias “que estavam tentando lidar com as dificuldades e os traumas associados ao quadro, imaginando o que fizeram de errado, de modo que precisei explicar muito sobre o cérebro e a natureza genética da doença”.

Linda, cuja formação é de enfermeira especializada em unidades de tratamento intensivo e psicoterapeuta, que atende em seu consultório particular, fundou a SRDAA há quase 11 anos “para se concentrar nos pacientes mais graves, que são os mais mal atendidos e incompreendidos da nossa população, e são difamados e destratados”, disse.

A organização, que adota uma “perspectiva biopsicossocial”, é constituída por médicos, acompanhantes e pacientes. Seu alcance se estende para além dos Estados Unidos; fornece apoio e recursos a países como Rússia, Uruguai, Índia, Hungria e Japão, bem como ao Reino Unido, disse Linda.

Juntamente com a iniciativa, está o Treatment Advocacy Center, uma organização sem fins lucrativos que busca eliminar barreiras ao tratamento das doenças mentais, e a National Alliance on Mental Illness.

Um grupo de defesa de questões relativas à saúde mental encabeçou uma nova iniciativa para reclassificar a esquizofrenia como doença neurológica em vez de psiquiátrica. A ação tem como objetivo reduzir o estigma e obter mais financiamento para pesquisas dos Centers for Disease Control and Prevention(CDC) norte-americanos.

Em maio de 2018, a organização Schizophrenia and Related Disorders Alliance of America (SRDAA) apresentou um pedido para que a esquizofrenia fosse incluída na implementação da lei 21st Century Cures Act do National Neurological Conditions Surveillance System (NNCSS) – um novo programa dos CDC que recebeu cinco milhões de dólares do Congresso norte-americano para coletar dados sobre a prevalência e os fatores de risco das doenças neurológicas na população dos Estados Unidos.

“Na prática, a diferenciação entre as doenças neurológicas e psiquiátricas é artificial”, disse ao Medscape o Dr. Raymond Cho, médico e professor de psiquiatria do Baylor College of Medicine, em Houston, Texas, e diretor da SRDAA.

“É evidente que os distúrbios neurológicos e psiquiátricos devem ser considerados em conjunto, já que tudo é mediado pelo cérebro, por sistemas neurais e pela neuroquímica, mas o problema é convencer o resto da sociedade, os legisladores, as seguradoras, os membros da família e os pacientes disso”, disse Dr. Raymond.

A “mudança de paradigma que buscamos será voltada para o tratamento e não para apontar culpados, na esperança de que isso se traduza no modo pelo qual o sistema de saúde funciona e é financiado, porque atualmente, apesar das leis de paridade de saúde mental, a forma como o tratamento da ‘saúde mental’ é feito e financiado está muito distante da ideal”, acrescentou.

Vencendo o estigma

“O termo ‘doença mental’ está associado à discriminação e ao estigma, sendo frequentemente relacionado com uma percepção equivocada de que essa doença é culpa do paciente ou talvez da família dele – como a antiga descrição da mãe esquizofrenogênica”, disse ao Medscape Linda Stalters, diretora executiva e fundadora da SRDAA.

O Dr. Raymond descreveu tratar pessoas com psicose precoce e receber pacientes com o primeiro surto esquizofrênico e suas famílias “que estavam tentando lidar com as dificuldades e os traumas associados ao quadro, imaginando o que fizeram de errado, de modo que precisei explicar muito sobre o cérebro e a natureza genética da doença”.

Linda, cuja formação é de enfermeira especializada em unidades de tratamento intensivo e psicoterapeuta, que atende em seu consultório particular, fundou a SRDAA há quase 11 anos “para se concentrar nos pacientes mais graves, que são os mais mal atendidos e incompreendidos da nossa população, e são difamados e destratados”, disse.

A organização, que adota uma “perspectiva biopsicossocial”, é constituída por médicos, acompanhantes e pacientes. Seu alcance se estende para além dos Estados Unidos; fornece apoio e recursos a países como Rússia, Uruguai, Índia, Hungria e Japão, bem como ao Reino Unido, disse Linda.

Juntamente com a iniciativa, está o Treatment Advocacy Center, uma organização sem fins lucrativos que busca eliminar barreiras ao tratamento das doenças mentais, e a National Alliance on Mental Illness.

Alternativamente, o Dr. Christoph sugeriu reclassificar tanto os transtornos neurológicos como os mentais como “doenças do cérebro ou do sistema nervoso central, com expressão de sintomas variáveis e distintos nos domínios sensorial, motor, afetivo e/ou emocional, cognitivo e comportamental”.

Linda reconheceu que a solicitação aos CDC foi “uma tentativa ambiciosa, porque há pelo menos 40 outras organizações militantes em outras esferas diagnósticas que querem fazer parte deste número muito restrito de doenças incluídas inicialmente, e que serão cobertas pelo sistema de vigilância de doenças neurológicas nos EUA”.

O foco é a esclerose múltipla e a doença de Parkinson

De fato, no momento, a esquizofrenia não será incluída no NNCSS, disse ao Medscape o Dr. William A. Mac Kenzie, médico e vice-diretor científico do Center for Surveillance, Epidemiology, and Laboratory Services dos CDC.

Em vez disso, os CDC “começarão a planejar e implementar projetos-piloto para duas doenças neurológicas – a esclerose múltipla (EM) e a doença de Parkinson“.

Será um processo em três etapas, disse o Dr. William, e será realizado “em colaboração com os parceiros e as partes interessadas, dentro do que os recursos permitem”.

Essas duas doenças neurológicas serão usadas para determinar “como podemos ter o maior impacto explorando métodos inovadores e fontes de dados complexas e capturando as lições aprendidas para determinar quais estratégias ajudarão a estender o NNCSS com eficiência para outros distúrbios neurológicos”, disse o Dr. William.

O segundo passo será “construir o NNCSS” para essas duas doenças, usando as estratégias bem-sucedidas dos projetos-piloto e “verificando métodos, custos e oportunidades, dentro do escopo dos recursos”, disse o médico.

As lições aprendidas com estes modelos serão usadas “para estender o NNCSS a outros distúrbios neurológicos, dentro dos limites dos recursos alocados”, continuou o médico.

O Dr. William observou que a “legislação vigente sobre o NNCSS não faz referência a nenhuma doença, distúrbio ou transtorno pelo nome”.

No entanto, acrescentou: “à medida que avançarmos o sistema de vigilância, os CDC envolverão vários órgãos federais, especialistas em assuntos externos, sociedades profissionais e outras partes interessadas na determinação das doenças específicas a serem incluídas no NNCSS”.

O Dr. William enfatizou que “neste momento, os CDC entendem a reclassificação das doenças como fora do escopo do trabalho do NNCSS”. Sua base é a Classificação Internacional de Doenças (CID) feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como a “ferramenta oficial de diagnóstico internacional em termos de epidemiologia, administração em saúde e para fins clínicos”.

Linda reconheceu que o SRDAA está ciente de que os CDC estão fazendo agora estudos-piloto sobre a esclerose múltipla e a doença de Parkinson.

No entanto, “estamos obtendo apoio de outros grupos, associações de acompanhantes e responsáveis pelos pacientes, profissionais e governamentais para a inclusão da esquizofrenia na extensão do NNCSS” e “continuaremos nosso trabalho para que, quando o NNCSS dispuser de recursos, a esquizofrenia seja incluída no sistema”, afirmou.

“Entendemos que os CDC não têm a competência de reclassificar, e submetemos um pedido à OMS para a reclassificação da esquizofrenia”, acrescentou.

 

Fonte: medscape

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