Marcador da tau pode contribuir para diagnóstico de Alzheimer

Foi descoberto um novo marcador molecular radioativo que se liga com a proteína tau da doença de Alzheimer, e que pode ajudar no diagnóstico e no acompanhamento da doença, bem como no desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento dela.

A substância experimental, conhecida como 18F-RO-948, em desenvolvimento pela Roche, foi tema de dois artigos publicados na edição de dezembro do periódico Journal of Nuclear Medicine.

“Trata-se de um radiofármaco de segunda geração que se liga à proteína tau encontrada nos pacientes com Alzheimer”, disse ao Medscape o primeiro autor de um dos artigos, Dr. Dean Wong, Ph.D., médico da Johns Hopkins University School of Medicine, em Baltimore, Maryland.

“O acúmulo da tau parece ter melhor correlação com o déficit cognitivo do que o de amiloide, portanto, acredita-se que possa ser um melhor indicador do declínio cognitivo”, completou.

O Dr. Dean explicou que a primeira geração dos radiomarcadores da tau já existe há algum tempo, mas a substância exibe alta ligação com outras proteínas, ou seja, também se liga a outras áreas do cérebro não associadas com a doença de Alzheimer.

“Esta nova substância é bem mais específica para a tau, por isso vai permitir imagens mais detalhadas da extensão da doença”, explicou o Dr. Dean.

A substância experimental da Roche vem se juntar a outro marcador da proteína tau de segunda geração da Merck. O Dr. Dean descreveu as duas substâncias como complementares “com diferentes pontos fortes e fracos”.

“Esta nova substância ajudará a compreender a fisiopatologia da evolução do Alzheimer e ajudar a identificar diferentes subtipos da doença. Também será útil para o desenvolvimento de novas drogas anti-tau para acompanhar se estão atingindo os seus alvos e avaliar a eficácia delas”, explicou o Dr. Dean.

“Essas substâncias também poderiam ajudar a fazer o diagnóstico precoce do Alzheimer”, acrescentou.

“No futuro, podem vir a ser o pilar dos exames de rastreamento para os pacientes de alto risco”.

Imagem cedida pela Johns Hopkins

No primeiro artigo, os pesquisadores liderados pelo Dr. Dean recrutaram 12 pacientes com doença de Alzheimer e 12 participantes saudáveis para o grupo de controle: sete mais jovens e cinco mais velhos para fazer uma tomografia por emissão de pósitrons (PET, do inglês Positron Emission Tomography) do cérebro. Também foram recrutados outros seis participantes saudáveis mais velhos para o grupo de controle que fez tomografia de corpo inteiro.

O estudo foi dividido em três partes. Na primeira, foram testados três marcadores da tau: 11C-RO-963, 11C-RO-643 e 18F-RO-948. Nesta etapa, o 18F-RO-948 mostrou os melhores resultados.

Na segunda parte do estudo, os pesquisadores testaram o 18F-RO-948 com novos exames de imagem do cérebro de cinco pacientes com Alzheimer e cinco participantes saudáveis mais velhos, com acompanhamento dos pacientes já testados a fim de avaliar a potencial evolução do emaranhamento da proteína tau remanescente após cerca de 16 meses.

A terceira parte do estudo consistiu na tomografia de corpo inteiro de seis participantes saudáveis mais velhos. Os pesquisadores examinaram 80 regiões diferentes do cérebro para avaliar a captação dos marcadores pelo cérebro, a capacidade de penetração tecidual e a especificidade da ligação com a proteína tau.

Os pesquisadores observaram que o cérebro saudável conservou pouco ou nenhum marcador, enquanto o cérebro dos pacientes com Alzheimer revelou a presença da tau em regiões compatíveis com os dados descritos sobre os emaranhados neurofibrilares encontrados nas autópsias.

“O 18F-RO-948 é um marcador promissor para exames de imagem sobre a patologia da tau na doença de Alzheimer”, escreveram os pesquisadores.

“O marcador mostrou uma boa captação no cérebro, aparentemente os metabólitos radiomarcados não penetram no cérebro, tem bom perfil cinético, mostra pouca ou nenhuma retenção nos participantes do grupo de controle com cognição normal e uma distribuição nos pacientes com Alzheimer compatível com os dados de autópsia publicados”.

“Nossa esperança é que ferramentas como o 18F-RO-948 nos possibilitem compreender melhor a fisiopatologia do Alzheimer e, em termos do desenvolvimento de novos medicamentos, podermos selecionar os pacientes para os ensaios clínicos, confirmar o mecanismo de ação farmacológico contra a proteína tau patológica, e monitorar os efeitos dos tratamentos que modificam a doença, mesmo que não tenham ação direta na tau”, concluíram os pesquisadores.

No segundo artigo, a equipe avaliou detalhadamente a quantificação da ligação do 18F-RO-948 com a tau em 11 pacientes com doença de Alzheimer e 10 participantes saudáveis: cinco jovens e cinco mais velhos, e concluiu que a substância experimental produziu resultados que podem ser reproduzidos.

Este estudo foi financiado pela empresa F. Hoffmann-La Roche. O Dr. Dean Wong informou não ter conflitos de interesses relevantes.

 

Fonte: medscape.com

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