Prevenção secundária de infarto na esquizofrenia diminui mortalidade por doença cardiovascular

Uma nova pesquisa mostra que a prevenção secundária após infarto agudo do miocárdio (IAM) primário em indivíduos com esquizofrenia reduz a taxa de mortalidade neste grupo de pacientes, cujos desfechos cardiovasculares são reconhecidamente ruins e estão ligados a grande redução da expectativa de vida.

Segundo pesquisadores do Aalborg University Hospital, na Dinamarca, pacientes com esquizofrenia que sofreram IAM primário receberam três tratamentos cardioprotetores, resultando em taxas de mortalidade menores.

As pessoas com esquizofrenia já têm dificuldade no controle dos sintomas psiquiátricos. Então, ao sofrerem um evento cardíaco, precisam de um “acompanhamento atento” para atingir melhores resultados, afirmou ao Medscape Pirathiv Kugathasan, pesquisador e doutorando do Departamento de Psiquiatria, Aalborg University Hospital.

Pirathiv Kugathasan

“Acreditamos que o prognóstico destes pacientes será muito melhor se os médicos conseguirem prover este tratamento”, disse ele.

O estudo foi publicado on-line em 24 de outubro no periódico JAMA Psychiatry.

Alta taxa de mortalidade, baixa expectativa de vida

Os pacientes com esquizofrenia têm uma taxa de mortalidade relativamente elevada, em grande parte devido às doenças cardiovasculares. Isto contribui para uma expectativa de vida 15 ou 20 anos menor do que a da população geral.

A partir das informações do banco de dados dinamarquês, National Danish Patient Registry, os pesquisadores determinaram o número de pessoas internadas por IAM primário entre 1995 e 2015 na Dinamarca. Eles separaram os pacientes com diagnóstico de esquizofrenia do restante da população.

A coorte teve 684 pacientes com esquizofrenia (70,6% homens, com média de idade do IAM aos 57 anos) e 104.334 pessoas na população geral (70,4% homens, média de idade de 61 anos).

Os pesquisadores reuniram informações sobre as medicações dispensadas para o tratamento preventivo após o IAM. Cinco grupos de medicamentos foram definidos: antitrombóticos, antagonistas da vitamina K, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECAs) e estatinas. Os pacientes puderam mudar de grupo terapêutico durante o estudo.

Comparados com a população geral, os pacientes com esquizofrenia receberam menos prescrições de antitrombóticos (84,9%), antagonistas da vitamina K (15,9%), betabloqueadores (74,1%), IECAs (70,9%) e estatinas (72,2%), e uma proporção maior de nenhuma prescrição após o IAM (7,8%), sendo < 0,001 para todas.

A taxa de mortalidade durante o acompanhamento entre pacientes com esquizofrenia foi de 44,9%, comparada com 26,6% dos outros pacientes (< 0,001). As causas de morte foram igualmente distribuídas nos dois grupos, e a doença cardiovascular respondeu por dois terços (66,2%) de todas as mortes em ambos os grupos.

As taxas de mortalidade e exposição ao tratamento foram ajustadas para fatores como: sexo, ano de nascimento, idade no IAM, momento do ano, intervenções coronarianas percutâneas, doença pulmonar obstrutiva crônica, hipertensão e abuso de substâncias.

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