Respiração irregular durante o sono pode prejudicar conexões cerebrais

Baltimore — Distúrbios respiratórios durante o sono (DRS) podem levar a alterações na substância branca do cérebro, o que pode contribuir para o comprometimento da conectividade funcional, sugere um novo estudo.

Chooza Moon, PhD, enfermeira do University of Iowa College of Nursing, em Iowa City (EUA), apresentou os resultados durante uma sessão de resumos de última hora no SLEEP 2018: 32nd Annual Meeting of the Associated Professional Sleep Societies.

O sono é importante para a manutenção da substância branca do cérebro, explicou a pesquisadora, promovendo a mielinização e a proliferação de células precursoras de oligodendrócitos no sistema nervoso central. Os distúrbios respiratórios durante o sono e a má qualidade do sono têm sido associados a alterações na substância cinzenta, mas poucos trabalhos analisaram o impacto dos distúrbios respiratórios durante o sono nas alterações da microestrutura da substância branca.

Os pesquisadores realizaram uma análise transversal de dados de polissonografia e da microestrutura da substância branca cerebral avaliada por diffusion tensor imaging, em 138 adultos (média de idade de 68 anos; 51% do sexo masculino) do Wisconsin Sleep Cohort Study.

Após o ajuste por potenciais fatores de confusão, os distúrbios respiratórios mais graves durante o sono (maior índice de apneia ou hipopneia) foram associados a menor densidade da substância branca e a maior degeneração axonal, mas não a integridade axonal ou a mielinização. Tempos de despertar mais longos após o início do sono foram associados a menor integridade e densidade do trato da substância branca, a maior desmielinização, porém a maior maturação da substância branca.

Latência mais prolongada do sono foi associada a mais degeneração axonal, mas também a maior integridade da substância branca, maior densidade tecidual e menos desmielinização. A eficiência do sono e o tempo total de sono não foram associados à microestrutura cerebral.

“Essas descobertas sugerem que a relação entre as características do sono e a microestrutura cerebral pode não ser linear”, disse Chooza aos participantes, acrescentando que mais estudos são necessários para esclarecer a relação entre as alterações da substância branca e as características do sono.

Distúrbios do sono são subtratados

Convidado a comentar, o Dr. James Rowley, membro do conselho da American Academy of Sleep Medicine, disse que este estudo fornece mais evidências de que os distúrbios respiratórios durante o sono “não são bons para o cérebro”.

Enquanto alguns estudos anteriores encontraram alterações na massa cinzenta associada aos distúrbios respiratórios do sono, este trabalho encontrou alterações na substância branca do cérebro, “que é o que conecta tudo, então parece que as conexões também estão sendo afetadas, o que teria muitas implicações”, disse o Dr. Rowley, da Wayne State University, em Detroit, Michigan (EUA).

O Dr. Rowley disse também ser importante ressaltar que os distúrbios respiratórios durante o sono são subtratados.

“O problema é que as pessoas provavelmente o têm durante anos antes mesmo de pensar nisso ou de fazer alguma coisa, então o quanto dessas mudanças são corrigíveis quando as pessoas são tratadas não é conhecido. O mesmo é verdadeiro para doenças cardíacas e quase qualquer coisa”.

O apoio ao estudo foi fornecido por National Institutes of Health, University of Wisconsin Madison School of Nursing, University of Wisconsin School of Medicine, Public Health’s Wisconsin Partnership Program. Os autores e o Dr. James Rowley informaram nã possuir conflitos de interesses relacionados ao tema.

SLEEP 2018: 32nd Annual Meeting of the Associated Professional Sleep Societies. Resumo LBA1. Apresentado em 4 de junho de 2018.

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