Terapia que retira “células zumbis” do cérebro poderia retardar Parkinson

Pesquisadores da Califórnia mostraram, por meio de experimentos em camundongos, que alguns dos efeitos do mal de Parkinson podem ser revertidos ao retirarem uma espécie de “células zumbi” do cérebro.

A doença de Parkinson afeta cerca de 10 milhões de pessoas no mundo e geralmente acontece quando certos tipos de neurônios, que produzem uma substância chamada dopamina, crucial para permitir que o cérebro produza movimentos físicos e coordenados, deterioram-se ou morrem.

Entretanto, os cientistas suspeitam que outras células do cérebro podem estar envolvidas na doença. Eles acham que os astrócitos podem causar problemas quando se tornam senescentes, um estado no qual as células param de se dividir e liberam produtos químicos que provocam inflamação. Essa inflamação local, segundo eles, poderia prejudicar neurônios que produzem a dopamina, causando o Parkinson.

A transformação no estado zumbi, em que elas param de se dividir e liberam produtos químicos, faz parte das defesas naturais do corpo contra o câncer: quando as células estão em perigo de crescimento descontrolado, a mudança para a senescência mantém elas sob controle.

Em uma publicação no periódico Cell Reports, os cientistas afirmam que o tecido cerebral morto, retirado de pacientes com Parkinson, tinha mais astrócitos senescentes do que um tecido cerebral sadio. Para testar se essas células zumbis podem desempenhar um papel na doença de Parkinson, os pesquisadores expuseram os camundongos a um herbicida que foi associado à doença em seres humanos. O herbicida produziu astrócitos senescentes nos cérebros dos animais e os testes mostraram que eles tinham dificuldades físicas ao se movimentar.

Depois, os cientistas injetaram uma droga que destrói as células senescentes nos animais. Como resultado, a droga pareceu proteger os camundongos e diminuiu seus problemas de movimento.

Demaria acredita que retirar as células senescentes do cérebro poderia um dia ajudar a proteger os seres humanos do Parkinson e de outras doenças neurodegenerativas, mas disse que os cientistas precisam de novos medicamentos para direcionar corretamente as células zumbi.

Um obstáculo que eles precisam superar é que algumas células senescentes são valiosas, ajudando a curar feridas mais rápido.  “Conhecemos as células que queremos atingir, mas no momento não temos a terapêutica para fazer isso. Nós ainda não conseguimos atingir as células ruins.”

 

Fonte: site UOL

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