Uso de maconha pode aumentar risco de morte por hipertensão

Usuários de maconha têm um risco quase três vezes maior de morrer de hipertensão, e o risco aumenta com cada ano adicional de uso, de acordo com uma análise da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES)O risco cardiovascular associado ao uso de maconha “pode ser maior que o risco cardiovascular já estabelecido para o tabagismo”, informam os autores, liderados por Barbara Yankey (Georgia State University, Atlanta).

“Não estamos contestando os possíveis benefícios medicinais das formulações padronizadas de cannabis. No entanto, o uso recreativo de maconha deve ser abordado com cautela”. O estudo foi publicado on-line em 8 de agosto de 2017 no European Journal of Preventive Cardiology. Os pesquisadores associaram dados de adultos com 20 anos de idade ou mais que responderam a perguntas sobre o uso de maconha na NHANES de 2005, a dados de mortalidade de 2011 do National Center for Health Statistics. Os 1213 indivíduos (média de idade de 37,7 anos no início) na coorte foram acompanhados por um total de 19.569 pessoas-anos.

Entre todos os participantes, 34% ou não usavam maconha nem cigarro, 21% usavam apenas maconha, 20% usaram maconha e fumavam cigarros, 16% usavam maconha e eram ex-tabagistas, 5% eram ex-tabagistas, e 4% fumavam apenas cigarros. A duração média do consumo de maconha foi de 11,5 anos, e para o tabagismo, de 10,1 anos. Em comparação com os não usuários de maconha, os usuários tinham uma hazard ratio (HR) ajustada para morte por hipertensão de 3,42 (IC de 95%, 1,20-9,79).

O risco ajustado foi ainda maior do que o dos tabagistas ativos (HR 1,06; IC de 95%, 0,40-2,77), dos ex-tabagistas (HR 1,33; IC de 95%, 0,57-3,10), dos usuários de álcool (HR 0,95; IC de 95%, 0,37-2,45); e daqueles com diagnóstico prévio de hipertensão (HR 0,81; IC de 95%, 0,32-2,06) ou doença cardiovascular (HR 1,94; IC de 95%, 0,42-8,97). Para cada ano de uso de maconha, a hazard ratio foi de 1,04 (IC de 95%, 1,00-1,07). Morte por hipertensão incluiu múltiplas causas, como hipertensão primária e doença renal hipertensiva.

Não houve associação entre o uso de maconha e morte por doença cardíaca ou cerebrovascular, e nenhuma associação significativa entre o tabagismo e morte por hipertensão, doença cardíaca ou doença cerebrovascular, provavelmente devido ao pequeno tamanho da amostra, dizem os pesquisadores. “Encontramos maiores riscos cardiovasculares estimados associados ao uso de maconha do que com o tabagismo”, disse Barbara em um comunicado à imprensa. “Isso indica que o uso de maconha pode ter consequências ainda mais pesadas no sistema cardiovascular do que o já estabelecido para o tabagismo. No entanto, o número de tabagistas em nosso estudo foi pequeno, e isso precisa ser avaliado em um estudo maior”.

Outra limitação do estudo é como o consumo de maconha foi estimado. Por exemplo, não é certo se os participantes continuaram a fumar maconha ao longo do período de estudo, observam os pesquisadores. No entanto, os resultados apontam para um “possível risco de mortalidade por hipertensão por uso de maconha. Isso não é surpreendente, uma vez que sabidamente a maconha tem uma série de efeitos no sistema cardiovascular”, disse Barbara.

Relatos de casos também já detalharam infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral após o uso de maconha entre pacientes com pressão normal e pessoas sem história de doença cardiovascular. “A relação entre uso de maconha e mortalidade cardiovascular não é bem estudada”, disse Barbara ao Medscape. “O avanço atual para a legalização da maconha requer o estudo da relação entre a maconha e a saúde cardiovascular. Se o uso de maconha realmente causa maior mortalidade cardiovascular, é importante tomar medidas para proteger a saúde daqueles suscetíveis a iniciar ou aumentar o consumo de maconha devido à legalização dela”, disse Barbara.

Convidado a comentar para o Medscape, o psiquiatra especialista em dependência, Dr. Kevin P. Hill (McLean Hospital, Belmont, MA, e Harvard Medical School, Boston) disse: “A conclusão é que esses estudos de associação levantam questões que devem ser melhor estudadas em estudos prospectivos. “Agora que temos 29 estados e a capital federal com cannabis médica, e oito estados e a capital federal com cannabis recreativa legalizada, temos a oportunidade de organizar estudos prospectivos rigorosos para responder a essas questões sobre os efeitos da cannabis sobre a saúde de forma mais efetiva do que antes”, acrescentou.

Os autores e o Dr. Hill declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

 

Fonte – Medscape, 29 de agosto de 2017

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